domingo, 5 de fevereiro de 2012

SONHO EM CONSTRUCAO

Um sábado europeu,um rígido inverno, desses que enrijecem as orelhas,e as pontas dos dedos das maos avermelham-se e cocam,mesmo com luvas. Foi assim o meu,em pleno fevereiro daquele ano. Arrumei todas as desculpas para desistir de ir na casa d e uma amiga para tomar o café da tarde,mas ela me convenceu e foi a melhor coisa que aconteceu. Ela havia chegado do Brasil,de férias,e trouxera dvs de shows e nos sentamos na sua aconchegante saleta,decorada com muita planta e penduricalhos interessantes.Aliás,eu sempre digo:ela tem em sua quitinet uma Amazonas só pra ela.Aliás, o verde e o azul escuro sao as suas cores,uma perfeita combinacao entre os objetos de adorno. E ali, diante da tevê,assistindo um show e outro,falando de coisas cariocas,de sonhos,tomamos café com leite e bolo de macas e nozes com creme.Delícia! Uma bomba pra quem deseja comecar uma dieta. Duro ter de deixar sua casa,uma energia incalculável emana de lá,mas precisava voltar. Entao ela me levou até a estacao do metrô. Durante o percurso meus pensamentos iam ao Brasil e voltavam.Um dos temas abordados por nós foi o do seu desejo de comprar uma casa semi-construída numa regiao praiana do Rio, onde seu irmao mora. Sua esposa investira um dinheiro na compra d e uma casa em frente e a transformara em uma pensao. Com o dinheiro que recebiam dela, investiam os dois na casa que moravam. Seu irmao dava idéia de ela fazer o mesmo e ela sugeriu que eu também fizesse. Brilhante idéia,pensei. E assim que cheguei em casa,mal pude dormir d e tanto pensar e quando acordei pela manha já estava "montada" nisso. Parecia que eu tinha um roteiro em minhas maos e criava as cenas já. Nao faltava nada.

Tenho uma casa numa regiao praiana do Rio,que alugo para um casal por uma bagatela. Eles cuidam dela,já que nao posso,estando fora do país. Eu sempre pensei nesta casa como uma fonte de renda enquanto eu estivesse pela Europa. E conversando durante o café da manha com meu marido,ele apoiou o que eu tinha em mente e tao entusiasmado ficou que só falava nisso. Era como "tirar água d e pedra",já que nao tínhamos dinheiro pra isso.Mas só o fato de falarmos disso já era um início,pensava eu. Entao mandei um email para meus inquilinos, um casal"gente fina",porque enquanto morava no Brasil eu tinha um ateliê(um quartinho) ond e eu produzia minhas coisas e vendia,sem sair de casa. Combinamos eu e meu marido irmos no verao por algumas semanas e "sentir a situacao de perto". Os inquilinos adoraram a idéia.

E assim,viajamos pro Brasil por quatro semanas. Havia pedido uma d e minhas irmas para esvaziar meu ateliê e que providenciasse o conserto do telhado e trocasse uma das portas que estava arruinada. Quando chegamos tivemos a maior surpresa. O casal havia feito tudo e até pintado. Compramos um colchao inflável e colocamos lá e as nossas refeicoes,enquanto estávamos por perto,fazíamos no jardim sob uma das árvores. Momentos maravilhosos estes.
E assim, juntos,planejamos colocar em pauta a idéia que eu tive, a de transformar a casa em pensao,sem que prejusicasse o casal. Um projeto foi feito de uma quitinet no mesmo quintal, na frente do ateliê e ali moraria o casal,sem pagar aluguel,enquanto desejasse ficar. E as obras de reforma se iniciaram.

Voltamos pra Europa felizes,renovados e com perspectivas de vida. Doei meu tempo na feitura de coisas para arrumar a pensao. Ficamos cientes de que a mobília seria a mesma,rústica. No terraco,que dá para uma montanha,na parede,penduraria meus quadros. Faria exposicoes todos os anos e no jardim colocaríamos mesas e etc...E assim,como nos sonhos e na realidade,poderia viver mais intensamente e com uma nova visao.